Perfil Novos Escritores – Willian Couto

Willian Couto

Mineiro, residente em Guarulhos e formado em Farmácia, Willian Couto é autor de “Enfim…Primavera”, romance que foi publicado pela Editora Multifoco.

Willian sempre gostou da arte de escrever, sendo os seus textos influenciados, sobretudo, pelos princípios do cristianismo. Nos últimos anos ele passou a escrever para diversos sites e blogs, até concluir a escrita de seu primeiro romance “Enfim Primavera”, que já foi resenhado aqui no blog.

Em entrevista, ele nos contou um pouco sobre a dificuldade de se escrever um livro, além dos obstáculos existentes em relação a divulgação das obras escritas por autores estreantes.

Willian, você é formado em Farmácia e publicou seu primeiro romance o que é algo bem distinto da sua área de formação. No geral, as pessoas estranham o fato de você ter escrito um livro?

Antes de responder suas perguntas quero agradecer a oportunidade em conceder minha primeira entrevista.

Não. Acredito que a minha formação não gera essa estranheza nas pessoas, só o fato de escrever já é o suficiente para gerar uma áurea estranha. A maioria das pessoas se assusta, pois acreditam que um escritor é sempre um sujeito longe, quase que de outro planeta. Alguns até são, mas estou longe disto. Só para deixar registrado, Carlos Drummond de Andrade também se formou em Farmácia, no entanto, vamos deixar a comparação somente nesse quesito, por favor!

Quando e como a literatura entrou na sua vida?

 Não consigo determinar o tempo exato, para falar a verdade, sempre tive dificuldade em apontar datas para os acontecimentos. E nesse caso em especial é quase que impossível fazer de dizer quando que a literatura me foi apresentada, pois desde que me conheço por gente sou rodeado por livros. Eles fizeram parte de todo a minha infância graças ao trabalho de meu pai em livrarias e editoras. Ele gostava tanto dos livros que formou uma minibiblioteca que me foi dada como herança tempos atrás. Nela havia vários clássicos que permearam minha formação, e até alguns livros censurados pela ditadura. Que sempre me encheu de orgulho.

 Quais são seus autores e livros favoritos?

Colecionei nesses anos vários autores preferidos, às vezes sou injusto em considerar a última leitura como a melhor de todas. Seja pela emoção que sempre sinto em ler um livro ou pela memória que me trai. Mas meus mais recentes livros favoritos são: “O velho e o mar” de Ernest Hemingway que achei simplesmente fantástico. Também não posso deixar de lado o “Mar Morto” e “Capitães de Areia” de Jorge Amado; “Estação Jugular” do Allan Pitz; “Anarquista, graças a Deus” Zélia Gattai; “Cristianismo Puro e Simples” de C. W Lewis. Ainda tem os livros de João Ubaldo Ribeiro, Dalton Trevisam, J. K. Rowling, George R. R. Martin,entre outros. Faltam tantos livros para ler que nem sei se vou ter tempo.

 Fale pra gente qual é a história contada em “Enfim… Primavera”?

É a procura de Capitu, mesmo que forçadamente, de um sentido de vida. Utilizando-se para isto uma auto-análise para que toda a sua história fosse passado a limpo e conseguisse enfim sai de seu intenso e profundo inverno. Na verdade, é a briga que cada pessoa precisa travar para viver.

 Como foi o processo de criação do livro? Quais foram as suas influências e dificuldades?

O nome da personagem escâncara a minha maior influência nesse livro: “Dom Casmurro” de Machado de Assis. O processo de escrita foi um retorno da minha formação escolar. Como a maioria das pessoas conheci Machado Assis por imposição para conseguir nota no final do bimestre e passar de ano. Não fugi dessa regra, mesmo sendo um bom leitor, até que, num belo dia de trabalho redescobri Machado Assis através de um amigo, Ednaldo Gubani, que disse: “você tem que reler esse livro”. Aí não tive como escapar da leitura, que de cara me fez repensar todo aquele pré-conceito que tinha sobre o livro. Foi uma surpresa! Depois li “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e alguns outros clássicos que me influenciam de alguma maneira.

 Então, “Dom Casmurro” na época em que escrevia o livro me influenciou com os seus pequenos capítulos, a adoração que personagem tem pelo o livro e o nome da principal personagem do “Enfim… Primavera”.

 As dificuldades foram inúmeras, como você mesmo percebeu a minha formação acadêmica não me capacita para ser escritor. Então tenho que sobrepor essas barreiras impostas pelas escolhas da vida e correr atrás.

 Qual é a principal mensagem que o livro “Enfim… Primavera” passa ao leitor?

Que apesar de todas as dificuldades que a vida nos impõe existe sempre uma luz no fim do túnel. E não é a luz do trem, risos. Foi essa a principal mensagem que quis deixar no livro, que as coisas podem mudar e mudam. É aquela velha questão: o copo está meio cheio ou meio vazio? Tudo é perspectiva.

 Qual a maior dificuldade que você achou para dar início a sua carreira literária?

Como estou nos primeiros passos de uma suposta carreira, ainda tenho todas as dificuldades possíveis. Desde o processo de escrita, formação do meu estilo literário e redes de contato.

 Willian, você está tendo dificuldades para publicar? Quais?

O grande problema não é a publicação em si, já que existe inúmeras forma de publicar o livro: desde esperar uma grande editora, até fazer de forma independente nas pequenas editoras. Fora os e-books que estão em alta graças a Amazon.

 No entanto, o calcanhar de Aquiles de qualquer escolha é a divulgação e posteriormente a venda.

 capa Enfim...PrimaveraPara você, quais são os preconceitos que os livros nacionais sofrem?

Todos. Graças a uma escolha de mercado das grandes editora fez com que o leitor só dessa importância para obras internacionais. Acredito que esse cenário está mudando, mas vai demorar um pouco para mudar a cultura que o fora é melhor, pois temos que levar em conta a “síndrome do viralatismo”. No entanto, espero que em breve possamos voltar aos velhos tempos onde as livrarias eram povoadas por autores nacionais.

 Como você vê o mercado literário brasileiro? Os novos autores têm espaço?

Acredito que muitos encontrarão seus espaços com as devidas proporções. Não sou otimista ao ponto de dizer que todos os escritores que conheço na cena literária underground vão triunfar de tal maneira que só viverão de livros. Infelizmente a maioria não vão ser os próximos Paulos Coelhos da vida . Todavia, creio que dessa geração possa surgiu algumas figuras que se destacarão no futuro.  

 A leitura em nosso país deveria ser mais incentivada?

A leitura deveria ser encarada com mais seriedade, ela é um fator importante para formação de qualquer indivíduo. O problema disso tudo que a leitura só é encarada como tarefa para ganhar nota. Tá errado. A escola deveria ter como missão formar leitores e para isso deveria empregar estratégias melhores, como utilizar no calendário escolar os livros de Harry Potter, Jogos Vorazes, A Culpa e das Estrelas ou qualquer outro da literatura atual que empolguem os jovens. É só dá uma passadas nesses blogs da vida e ver o tanto de jovens que gosta de ler.

 Depois de “Enfim…Primavera”, você está pensando em escrever um novo livro?

Escrever é uma maldição que dificilmente você deixa de lado. Sempre tem um conto ou rascunhos sendo escritos. Atualmente estou trabalhando em outro romance que há pouco tempo descobri que se encaixa mais no estilo novela. Nesse novo livro vou falar um pouco sobre tempo, rotina e coisas do cotidiano que estão sempre bem evidentes nos meus atuais escritos.

Quem se interessou por  “Enfim…Primavera”, onde pode compra-lo? Qual é o valor?

Quem quiser adquirir o “Enfim… Primavera”, autografado, pode entrar em contato comigo no e-mail: couto.willia@gmail.com 

O custo é de 30 reais, com o frete incluso.

 Essa experiência foi bacana. E qualquer coisa me encontre nessas redes sociais da vida que podemos bater um papo. Abraço!

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