Perfil Novos Escritores – Ricardo Tagliaferro

ricardotagliaferro

Aos 22 anos, o paulista Ricardo Tagliaferro divide seu tempo em diversas atividades: vendedor, vocalista em uma banda de rock e de um grupo de MBP além de ser escritor. Em breve, ele publicará seu primeiro livro intitulado “Cem Cartas de uma Saudade”.

Em entrevista, Rodrigo nos conta um pouco mais sobre seu livro, o mercado literário brasileiro e as dificuldades para publicar.

Qual a maior dificuldade que você achou para dar início a sua carreira literária?

Olha, acho que a maior dificuldade foi aperfeiçoar a língua. A Língua Portuguesa é muito bela, porém, ao mesmo tempo, bastante complexa, o que acaba causando certo desinteresse e até um medo em excesso de cometer erros corriqueiros que poderiam passar despercebidos, isso acabou me inibindo um pouco na hora de começar a escrever, pois sou um pouco exigente e odiaria ver em um livro, erros que eu mesmo cometia na minha escrita.

Quando e como a literatura entrou na sua vida?

Ela entrou na minha vida na época da escola, me lembro até hoje do primeiro livro que li: “O macaco malandro”, acho que na terceira série, mas me apaixonei mesmo em 2003, quando, com apenas 12 anos, comecei a acompanhar a minissérie “A Casa das Sete Mulheres”. Como podia uma série tão linda como aquela ser escrita?

Mesmo com a minha restrição etária, busquei ler o livro, por vezes sai do curso de informática e fui até a biblioteca municipal, sentei num cantinho escondido e li trechos dele. A série é um pouco diferente do livro, mas Letícia Wierzchowski conseguiu me prender num romance inacreditável, desde então comecei a admirar escritores que conseguiam me trazer esta mesma sensação.

Quais são seus autores e livros favoritos?

Meus dois livros preferidos são “Eu Sou o Mensageiro” do Markus Zusak e “A Casa das Sete Mulheres” da Leticia Wierzchowski.
Meus autores preferidos também são os dois, gosto do jeito que ele nos fazem viver a história narrada, por vezes me senti um guerrilheiro farroupilha, por outras, um soldado imperial, e na maioria das vezes, um taxista falido e perdedor.

Conta pra gente qual é a história narrada em “Cem Cartas de uma Saudade”?

O livro saudade relata a historia de um jovem rapaz que tenta lidar com o frio da serra gaúcha, a falta de imunidade e a pior de todas as saudades: A do amor de sua vida. Mostra a vida sendo transformada em morte, o amor sendo transformado em dúvida e a certeza sendo transformada em mistério. Um livro que mostra que nem todas as cartas de amor são clichês e quem nem todos que se vão, tem a oportunidade de voltar a tempo.

Como foi o processo de criação do livro?  Quais foram as suas influências e dificuldades?cemcartasdeumasaudade

Sendo sincero, a maior dificuldade que tive foi driblar o meu déficit de atenção. A historia veio fluindo em minha cabeça e quando eu fui perceber, já tinha boa parte dos textos escrita, mandei para uma amiga próxima e para alguns outros amigos nem tão próximos assim (em questão de distância) e eles aprovaram, ficaram curiosos. Eu já fazia parte do cenário e todos diziam que o personagem principal tinha tudo de mim, então comecei a me dedicar inteiramente na escrita e conclusão, hoje me surpreendo com o resultado de tudo isso.

Sobre as influências, não tenho quase nenhuma literária, exceto pelo Markus Zusak, acho que fui mais influenciado por músicos como Lucas Silveira, Jonathan Correa e o saudoso Renato Russo, não usei influências literárias por querer criar meu estilo singular, acho que a música é o jeito nais eficaz de transmitir sentimentos, tanto que usei partes do livro em algumas composições para a minha banda, e é por isso que acabei sendo mais influenciado por músicos que por escritores

Qual é a principal mensagem que o livro “Cem Cartas de uma Saudade” passa ao leitor?

A ideia principal é mostrar para o leitor que não existem amores impossíveis (eu sei, quase todos os romances tem esta premissa clichê), mas é, principalmente, mostrar que o amor pode sim matar as pessoas e que ninguém, absolutamente ninguém merece ser condenado a esperar pelo amor de sua vida.

Ricardo, você está tendo dificuldades para publicar? Quais?

Sim, muitas. A dificuldade financeira é o maior dos problemas, acho que para todos os autores que estão começando. As editoras de hoje só querem saber de ganhar dinheiro oferecendo livros pro demanda, nos obrigando a comprar uma grande quantidade e engolindo nosso sonho de escritor de ter um livro publicado e vendido por grandes livrarias como Saraiva e Submarino. Outros problemas como aceitação de escritores nacionais e a abertura para livros internacionais acabam transformando o mercado nacional no “mais do mesmo”.

Para você, quais são os preconceitos que os livros nacionais sofrem?

Isso já é, de longa data, estipulado pela cultura nacional que insiste em reforçar a ideia de que as coisas de fora são melhores que as nossas, e tem também a questão da valorização cultural, mas os próprios brasileiros preferem comprar mais um clichê americano de [Nicolas] Sparks do que uma história envolvente e nacional da Rebecca Dellape. E em partes, também é culpa de alguns escritores que insistem em ambientar suas histórias nos mais longínquos confins do universo, mas que se esquecem do próprio lugar onde vivem, internacionalizam nomes de personagens e até seus pseudônimos com a tola ilusão de que com um nome “americanizado” fará mais sucesso do que um simples, como por exemplo, Paulo Coelho.

Como você vê o mercado literário brasileiro? Os novos autores têm espaço?

O mercado literário brasileiro está em ligeiro crescimento, o que é bom, mas que deve ser controlado. Com o passar do tempo, adolescentes estão tomando conta das bibliotecas e livrarias, o que é um grande progresso, mas também um grande desastre, venho acompanhando nesses últimos dias, adolescentes com excelentes histórias, que sabem do que falam e escrevem e conhecem o real sentido da escrita, mas também venho acompanhando verdadeiros fiascos que acabam de ler “A Culpa é das Estrelas”, “Harry Potter” e afins e já querem sair por aí escrevendo sagas gigantescas, mas nem sequer sabem escrever “com certeza” separado.

Os novos autores não têm muito espaço no mercado devido aos best-sellers americanos que chegam para nos, já que o brasileiro acha chique valorizar outras culturas que não a nossa.

ricardotagliaferroRicardo, para você, a leitura em nosso país deveria ser mais incentivada?

Sim, apesar de toda essa reviravolta no mundo da leitura nesses últimos anos, o povo ainda esta muito deficiente quanto à novos horizontes, falta por parte da nossa cultura aprender que podemos ser quem quisermos, viver o que quisermos e amar quem quisermos no maravilhoso mundo encantado da leitura, mas para isso acontecer, alguém tem que mostrar para eles que esse mundo pode ser vivido, o cinema está ajudando neste processo, mas também está direcionando o público para um ou outro gênero, tirando assim a liberdade de escolha e diminuindo a porcentagem de aceitação de certos públicos.

Depois de “Cem Cartas de uma Saudade”, você está pensando em escrever um novo livro?

As idéias andam borbulhando na minha cabeça, depois de concluir o processo de “Cem Cartas de uma Saudade”, vou começar a escrever sobre uma garota que vive em uma biblioteca e vê toda a sua vida passar diante dos seus olhos, mas que conhece algo que mudará sua vida para sempre. Espero que o livro tenha boa aceitação do público para que eu me sinta motivado para prosseguir.

E qual é a previsão de lançamento do livro “Cem Cartas de uma Saudade”, para quem se interessou?

Bom, inicialmente lançarei apenas 20 livros físicos, sendo 10 para as pessoas que acompanharam o processo de escrita e os outros 10 para serem sorteados na página e entregues á blogs literários para ser resenhado, mas o lançamento oficial em e-book pela página está previsto para o dia 10 de agosto, espero em breve conseguir recursos ou reconhecimento suficiente para conseguir bancar uma segunda edição com uma tiragem mínima de mil cópias. Acompanhem a página para saberem das novidades e promoções que farei por lá.

www.facebook.com/CemCartas

Muito obrigado pela atenção e lembrem-se:  A vida não tem graça sem um pouco de sal, pimenta e caos.

 

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