Perfil Novos Escritores – Felipe Sales Mariotto

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Carioca, filho de médicos e também formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Felipe Sales Mariotto marca sua estréia como escritor com a publicação de “A Festa” . A escrita se faz presente na vida dele desde muito cedo, quando já criava poesias para sintetizar seus sentimentos e reflexões.

Em entrevista, Felipe nos conta um pouco sobre as dificuldades de publicar, seus gostos literários e é claro, sobre o seu livro: “A Festa”, que em breve terá uma resenha aqui no blog.

Você é médico e agora estreia como escritor. As pessoas estranham ao saber que você escreveu um livro de ficção?

Não necessariamente. Estranham, mas acham inusitado e interessante. É tão bom quando a gente descobre uma vertente oculta de uma pessoa. Mas eu já escrevia poemas há algum tempo e fiz teatro também, no Tablado, durante quatro anos. Então, não foi nenhuma surpresa assim.

Quando e como a literatura entrou na sua vida?

A leitura é uma rotina para mim. Parece que falta alguma coisa quando não tenho um livro para ler (e agora, escrever). Desde pequeno com os almanaques, que eram presentes muito bem vindos, e são até hoje. Tenho sempre um livro em curso.

Quais são seus autores e livros favoritos?

Sou realmente fã do Dan Brown e todos seus livros. O fato de ele desenvolver sua narrativa em cenários que realmente existem, incluindo descrições detalhadas, faz sua história mais verdadeira, quase palpável. Isso me inspirou.

Qual é a história contada em “A Festa”?

O livro é um debate escancarado acerca dos valores fúteis e do mito da beleza incondicional.

A beleza é, sem dúvida, o maior cartão de visita de uma pessoa.
Richard, Ítalo, Isabelle, Pedro e Pablo são modelos exuberantes, em constante uso de sua arma natural de sedução. Corpos esculturais que são como ímãs para os relacionamentos fugazes, para o sexo fácil e sem preconceitos, e que destravam com facilidade as portas mais difíceis. A vida até parece uma festa.

Mas o jogo da vida nem sempre segue uma trilha linear. Richard sofre um grave acidente ao fugir de um assalto e se depara com uma nova realidade: entre cicatrizes físicas e emocionais, tem de abandonar a carreira de modelo. Foi iludido com o mito da beleza incondicional, e agora tem que enxergar um mundo onde as portas se fecham subitamente. Preso na lama pessoal, apenas a vingança o alimenta, principalmente contra Ítalo, que era seu namorado, mas que o abandonou por uma oportunidade de carreira em Paris, justamente no momento em que Richard mais precisava de apoio.

Ítalo teve uma vida bastante difícil antes de ser modelo. Tinha sido garoto de programa e viciado em drogas, até Richard e seus amigos o ajudarem. Ele tinha amor, um lar e boas companhias, mas jogou tudo para o alto em busca da fama e do dinheiro. Também quebrou a cara.

As embalagens bonlivroafestaitas descortinaram alguns produtos podres. Relações fúteis e traições comuns. Alguns aprenderam antes: tudo se transforma. O novo fica velho e enrugado, o bonito fica feio e o rico pode empobrecer. Resta o cerne, a essência de cada um, que é a verdade maior. Esta pode usufruir das alegrias e aprender com os tropeços. Richard, entretanto, só aprendeu depois de muito sofrimento e da outra festa, diabolicamente planejada, a da vingança.

Belos e malditos vivem uma história de altos e baixos, luxúria e cobiça amor e ódio. Realidade impactante, como enredo de uma lição que precisa ser dada e aprendida, mesmo que demore, mesmo que seja da pior maneira possível.

Como foi o processo de criação do livro? Quais foram as suas influências e dificuldades?

O processo de escrita do livro foi desenvolvido por mim (e ainda estou desenvolvendo). Não quis me inspirar em ninguém, mas criar um estilo próprio. Usei apenas a ideia de contextualizar a história em um cenário verdadeiro, como faz meu escritor predileto, Dan Brown. Isso faz os acontecimentos mais palpáveis, quase reais.
Já tinha a história básica do livro em mente. Escrevi os tópicos dos capítulos e depois foi só desenvolver um por um… Pronto, o livro estava pronto! Mas não foi tão simples assim. Ela parecia ganhar vida própria… Tive que fazer alguns acertos no final.

Como funcionou o processo de criação das personagens? Você tem algum favorito?

Falar da beleza comum é falar da juventude. Nada melhor que um grupo de atraentes modelos como personagens. É claro que alguns amigos (e suas mães) inspiraram alguns personagens, mas só o biótipo.

Richard (Rik), companheiro de Ítalo, é uma pessoa sempre disponível para ajudar o namorado, o que faz com que ele abuse de sua boa vontade. Deu amor e carinho, mas foi traído quando mais precisou. Seu maior presente lhe foi tirado de assalto. Todo mundo conhece um alguém bonzinho que sempre se dá mal. Mas, dessa vez, este resolveu se vingar.

Ítalo foi garoto de programa, consumia drogas esporadicamente e era lindo! Richard e seus amigos o acolheram para uma vida de pés no chão, com conforto. Todavia, o desejo de fama e dinheiro fez com que ele abandonasse tudo isso em busca de uma oportunidade de carreira internacional.

Isabelle (Bella), namorada de Pedro, era uma linda boneca de porcelana de temperamento forte. Não gostava de ser mandada, e também tinha, como qualquer ser humano, seus segredos.
Pedro era o mais consciente de todos. Tinha noção da efemeridade da carreira de modelo. Iniciou uma faculdade e tentava inspirar seus amigos.

Pablo era um mauricinho propriamente dito. De família rica, gostava de ser modelo por lazer. Interessava-se pela conquista, tanto de homens, como de mulheres. Em seu íntimo, porém, sentia-se vazio; ainda longe da maior busca de todas: o autoconhecimento.

E vários outros, como o estilista francês Jean Jacques, que era o mestre do teste do sofá; Saulo, o modelo negro mais lindo de toda a Bahia; Dona Norma, a mãe perfeita de Richard; Dona Wanda, a rechonchuda e simpática voluntária de um centro de dependentes químicos…

O meu preferido é o Ítalo, sem dúvida. Ele tem um histórico de dificuldades no lar e na vida. Era confuso, embora não aceitasse isso. Claro que nada justifica suas atitudes perante o namorado, mas a vida lhe estapeou muito para que ele aprendesse alguma coisa. E quando parecia estar evoluindo, tomou a maior rasteira de todas. Ele era a carência em pessoa, em todos os sentidos.

Qual é a principal mensagem que o livro “A Festa” passa ao leitor?

Uma reflexão acerca da futilidade de alguns relacionamentos e valores, mais pautados na atração física e enigmática que a beleza produz, do que na essência de cada um.

Tem amor e ódio; amizade e traição; sexo, quase explícito; lágrimas e sorrisos. Um pouco de tudo que é a vida!

E mesmo a vingança, com a derradeira festa, não conseguiu reaver os erros do passado. Apenas o arrependimento e o incômodo sofrimento constroem o aprendizado verdadeiro, contra os tropeços provocados pelos instintos. Espertos são os que aprendem com os erros dos outros ou que são sensíveis à voz da própria consciência. Os cegos, dessa vez, saem em vantagem, pois não são atraídos pela embalagem, e sim pelo produto.

Felipe, você teve dificuldades para publicar? Quais?

Muitas. Primeiro não sabia por onde começar. Fiz toda a pesquisa por meio próprio, chegando a pagar um valor alto para edição e revisão (que não foram feitas conforme esperava). Depois, para publicar, cobravam valores igualmente elevados, quase inviabilizando uma venda comercial. Descobri a editora Multifoco, que produzia tudo gratuitamente e vendia sob demanda. O preço final também não ajudou muito, mas consegui colocá-lo à venda na internet, inclusive em sites de livrarias conhecidas, como a Travessa e a Cultura. Agora me resta torcer por uma demanda grande nos sites para que as lojas físicas possam vendê-los também.

E o que representa para você conseguir publicar seu o primeiro livro?felipesalesmariotto, perfilnovosescritores

Sem dúvida uma realização. E agora, só quero melhorar. Melhorar na escrita, na divulgação e no reconhecimento. Sempre tinha o sonho de escrever o livro, mas não sabia por onde começar. Parecia uma tarefa incompatível com a rotina de um médico. Então, toda noite, escrevia duas a três páginas… No final de alguns meses, o livro ficou pronto; inclusive para minha surpresa.

Como você vê o mercado literário brasileiro? Os novos autores têm espaço?

Muitos jovens estão lendo e se interessando pelo debate literário. Só depois de escrever o livro e divulgá-lo nas redes sociais foi que percebi o universo gigante de leitores potenciais. Porém, o valor do livro ainda é caro para a maioria das pessoas. E a indisponibilidade inicial dos livros de autores independentes em lojas físicas, dificulta ainda mais a alavancada.

Por outro lado, os sites de livros digitais (Amazon, Bookess, dentre outros) possibilitam uma facilidade gigantesca na produção e comercialização das obras, mesmo com autores independentes. Basta disponibilizá-los à venda nos sites, após rápido cadastro. Tudo com um passo a passo bem simples. Formidável!

E pra você, a leitura em nosso país deveria ser mais incentivada?

Claro! E essa cultura vem de cedo. Se mais escolas estimulassem rodas de leitura, debates literários e atividades integradas com esses conteúdos, e não somente a obrigatoriedade de estudo com relação apenas aos clássicos nacionais, os livros seriam tomados como hábito e, acima de tudo, lazer. É importante que o leitor se interesse pelo tema do livro. Por isso, eles devem ser adequados a cada grupo em questão, e não impostos.

Depois de “A Festa”, você está pensando em escrever um novo livro?

Sim… quero escrever muitos outros livros. Ideias é que não faltam. E, agora que tenho um pouco de conhecimento de todo o processo de escrita e publicação, pretendo me aperfeiçoar no resultado final.

Quem se interessou pelo livro “A Festa”, onde pode comprá-lo? Qual é o valor?

Podem comprá-lo diretamente comigo, por um preço mais acessível (35 reais), solicitando via e-mail (felipesalesmariotto@gmail.com), que encaminho pelo correio com os dados de pagamento, ou através dos sites Livraria Travessa, Livraria Cultura, Editora Multifoco. Quem gosta de livros digitais, está disponibilizado por preços mais acessíveis (entre 9 e 15 reais), nos sites Amazon, SaraivaBookess, dentre inúmeros outros.

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